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domingo, 15 de junho de 2014


Em SP, produtividade e preços prejudicam produtores de amendoim

Baixa produtividade se deve à seca no período de desenvolvimento. Para amenizar as perdas, agricultores estão aguardando para vender.


      A estiagem e o forte calor do início do ano prejudicaram o desenvolvimento do amendoim, em São Paulo. Teve quebra na safra.
    Em uma plantação de 700 hectares, em Tupã, centro-oeste do estado, a máquina trabalha colhendo os últimos sacos. É o fim da safra, restam apenas 10% da área para finalizar a colheita, mas o produtor rural Roberto Gomes, que planta amendoim há mais de 30 anos, não está contente com os resultados deste ano.
    Segundo Roberto, a produtividade foi pelo menos 30% abaixo do esperado. “Colhendo 30% a mais, a gente ia somente tirar o custo de produção, então provavelmente, o produtor vai ficar sem remuneração para fechar as contas no final da colheita”, diz.
    A baixa produtividade na safra aconteceu por causa da seca no período de desenvolvimento do amendoim, principalmente no mês de janeiro, quando a planta precisa de umidade. Desta vez, o calor foi acima do normal e a chuva não veio, por isso, a planta cresceu pouco.
    Além da queda na produção, o preço também caiu. Segundo dados do Instituto de Economia Agrícola, a saca do amendoim em casca é comercializada hoje pelo preço médio de R$ 32, enquanto no ano passado, segundo os produtores, foi vendida a R$ 35.
    Para amenizar as perdas, muitos agricultores estão estocando o amendoim em galpões de cooperativas, aguardando o momento certo para vender. “A necessidade de obter preços maiores faz com que a gente esteja estocando o amendoim para ter condições de vender por preços que paguem o custo”, diz Roberto.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Falta de chuva atrasa plantio do amendoim, em São Paulo

Mesmo quem semeou a safra está preocupado por causa do solo seco. Cenário provocou queda no rendimento das lavouras.


Na fazenda de Edson Schiavon, em Tupã, o plantio que era para estar no fim ainda nem começou por falta de umidade no solo. Com o atraso, o produtor já teme os prejuízos.

Segundo a Cooperativa de Produtores de Amendoim de Tupã, nesta época do ano, pelo menos, 60% da safra total já deveria ter sido plantada, mas o clima quente e seco deixou o solo com pouca umidade, o que atrasou o plantio. Apenas 40% dos 60 mil hectares destinados à plantação de amendoim receberam as sementes.

São Paulo responde por 90% da safra brasileira de amendoim. No mês de outubro, o índice de chuvas na região ficou 38% abaixo do esperado. Sem umidade, as sementes não germinam e a produtividade pode cair.

De acordo com o engenheiro agrônomo Jorge Dias, o calor também pode prejudicar os produtores que já iniciaram o plantio. “Jogando a semente no solo úmido e de repente quando ela começa a germinar, falta chuva e umidade, a alta temperatura aquece o solo e cozinha as sementes e elas não germinam”, explica.

Diante destas condições o plantio esta lento e o estande de plantas pode ser prejudicado interferindo na produtividade e rentabilidade da safra 2012/13.

domingo, 14 de novembro de 2010

La Niña ameaça racionar chuvas na safra 2010/11

Os meteorologistas ainda não lançaram previsões completas sobre a primavera e o verão, mas estão recebendo dados de observatórios internacionais que indicam a ocorrência do fenômeno La Niña nos próximos meses. As águas do Oceano Pacífico, que estavam mais quentes que o normal durante o El Niño registrado no último ano, estão se resfriando lentamente. As mudanças devem inverter a tendência de chuvas em regiões como o Sul do Brasil – previsão que preocupa a agricultura.

Para o inverno, a notícia é boa, uma vez que favorece a produção de trigo. As previsões já apontam menos chuva e mais frio que no ano passado para essa fase de transição. O risco para o cereal passa a ser o de geadas tardias. Os grãos perdem utilidade na fabricação de farinha quando atingidos por temperaturas próximas de zero e gelo na fase final do ciclo, a partir do fim de agosto. Mesmo assim, a tendência é que a produtividade e a qualidade da produção deste ano sejam bem melhores que as de 2009, quando a chuva prejudicou mais de um terço da colheita.

O grande problema será para a safra de verão. Confirmado o La Niña, pode faltar água para a soja e o milho, os dois principais produtos da agricultura do Paraná. As chuvas em excesso que chegam aos campos do Sudeste dos Estados Unidos podem fazer falta aos produtores não apenas do Sul e do Centro-Oeste do Brasil. Argentina, Chile, Paraguai e Peru também tendem a sofrer com déficit hídrico. A preocupação se estende à produção de café, cana-de-açúcar e à própria pecuária. Já as regiões Norte e Nordeste do Brasil, ao contrário, podem receber até mais chuvas.

"Os principais centros meteorológicos do mundo estão apresentando sinais de La Niña para o segundo semestre", afirma o meteorologista do Simepar Reinaldo Kneib, de Curitiba. Ainda não é possível, contudo, prever se haverá danos para a agricultura, pondera a meteorologista Ângela Beatriz da Costa, que atua no Instituto Agronômico do Paraná, em Londrina. "Ainda não é o momento de os produtores rurais se alarmarem", afirma Renato Lazinski, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologa (Inmet).

Os especialistas afirmam que a partir de julho será possível dimensionar a força do La Niña e, aí sim, medir sua influência no clima do Paraná e de outras regiões agrícolas. O fenômeno tem características opostas às do El Niño. No Sul do Brasil tende sempre a reduzir as chuvas e a umidade do ar. No entanto, nem sempre se manifesta tão claramente quanto seu irmão. Ou seja, mesmo que as águas superficiais do Pacífico continuem se resfriando, a ocorrência de seca pode ser localizada ou nem mesmo se confirmar.

O que ocorre é que, a partir da mudança na temperatura do Pacífico, as massas de ar úmido da região amazônica não se deslocam para o Sul, permanecem na região ou seguem para o Nordeste. Dessa forma, estados como o Paraná passam a depender de chuvas que venham do Sul, nem sempre suficientes. Quanto maior o resfriamento das águas oceânicas, mais chances dessa alteração.

"A variação na temperatura das águas do Pacífico é muito lenta. Precisamos de meses para confirmar uma tendência como a do La Niña. O mais difícil, neste momento, é determinar a intensidade do fenômeno. Mas podemos dizer que a probabilidade de ele ocorrer é de aproximadamente 80%", diz Reinaldo Kneib.
Fonte: Gazeta do Povo